02 agosto 2010

Desafios que nos desafiam a procurar viver mais e melhor

A foto que ilustra nossa postagem não é de um restaurante qualquer.É o BlackOut, um restaurante muito peculiar, e com nome muito sugestivo, já que é servido apenas por garçons cegos  e  os clientes comem na escuridão total, como se também não pudessem ver. Fica em um armazém renovado no velho porto de Jaffa, subúrbio de Tel Aviv. O armazém abriga também o café Kapish, no qual todos os garçons são surdos.


A grande estrela aqui não é a arquitetura ou o design do lugar, apesar de bonito e aconchegante. O armazém é a atual sede do Nalaga'at  (que significa em hebraico Toque, por favor)  e vem a ser um grupo teatral -único no mundo- formado apenas por atores simultaneamente surdos e cegos.
Atualmente estão encenando a peça "Nem só de pão". Em três anos de montagem o espetáculo já foi assistido por mais de 150 mil pessoas em Israel e no exterior. No mês passado, o grupo fez 12 apresentações em Londres e foi aclamado pela crítica.
Em uma hora e meia, a peça relata sonhos, aspirações e experiências pessoais dos atores surdos-cegos com muito bom humor. Uma equipe de oito tradutores ajuda o público a entender o que está sendo contado além de acompanhar os atores pelo palco. Também dão ritmo ao espetáculo ao bater  tambores, que sentidos pelos atores, servem de deixa para a próxima cena. Para Adina Tal, diretora da peça e fundadora do Nalaga'at, o segredo do sucesso é tratar os atores e  o público com respeito e sem apelação.
A experiência no palco é descrita pelo atores como libertadora. A ideia de criar o grupo de teatro surgiu há dez anos, após  Adina ser convidada para ministrar um workshop para surdos-cegos. Dois anos depois, estreava a peça "A luz é ouvida em ziguezague", com apresentações nos Estados Unidos e Europa. Em 2008 o grupo estreou a montagem  "Nem só de pão". O sucesso das peças fez com que o projeto se ampliasse para uma ONG voltada para pessoas surdas, cegas ou surdas-cegas com oficinas, cursos e espetáculos para adultos e crianças. Dois terços dos funcionários da organização tem alguma deficiência visual ou auditiva. Com suas atividades mais o café e o restaurante  a ONG tem a segurança de quase não precisar de doações para sobreviver.
Desafios colocados em nossas vidas podem servir como meio de crescimento próprio e do próximo. Oportunidades novas de fazer, criar e viver.
Esta postagem foi baseada na matéria de Daniela Kresch, para o jornal O Globo (2 de agosto de 2010). Acho que talvez alguns até leram a matéria, mas achei tão importante e encorajadora que decidi compartilhar. Não só pela criação do grupo e da ONG como pela criatividade com o atípico serviço no restaurante - imaginem um jantar totalmente no escuro, servido por garçons cegos  - como também pela lição de vida  e superação. O ser humano tem um potencial divino em si. Ao invés de passar a vida resmungando precisamos aprender a utilizá-lo para o bem - nosso e do próximo.

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